Apicultores do VITAMEL pedem apoio para eliminação da erva-quente, que prejudica a qualidade e a comercialização do mel

O Programa VITAMEL desenvolvido pela Prefeitura de Sorriso, através da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente e com apoio do CAT Sorriso, por meio do “Projeto “Cultivando Vida Sustentável”,  envolve o tripé da pesquisa, produção e da preservação do meio ambiente. O programa VITAMEL tem o objetivo de estimular pequenos produtores da Agricultura Familiar a desenvolverem a atividade de produção de mel no município de Sorriso.

A apicultura tem sido uma atividade rentável para os pequenos produtores, tanto é que o grupo vem crescendo na adesão de associados interessados na produção de mel. Hoje o programa VITAMEL conta com 153 apicultores e Isso vem contribuindo também para a sustentabilidade, já que eles cuidam das abelhas e também do meio ambiente. O projeto tem a expectativa de aumentar cada vez mais a produção.

A coordenadora do Programa, a apicultora Clarisse Sauressig, diz que um dos maiores desafios dos apicultores é fornecer alimento de qualidade e em quantidade suficiente para as abelhas produzirem mel o ano todo. E mudando o conceito de como alimentar as abelhas, Clarisse conta que foi buscar o cipó-uva como uma alternativa de alimento para as abelhas, principalmente nos meses de seca, que é o período mais crítico, contribuindo para a alimentação de abelhas polinizadoras como um todo, não só as que são criadas em caixas, mas as que estejam nas áreas de mata também se beneficiam com o plantio de espécies de plantas melíferas.

Antes da introdução do cipó-uva, a colheita do mel ocorria durante dois meses e agora tem até três colheitas por ano, durante meses de chuva e também da seca. Prova disso é que em uma propriedade onde a apicultura estava sendo recém implantada o produtor conseguiu colher até 200 quilos de mel. “E com um diferencial, ele colheu três qualidades de mel, porque uma das grandes dificuldades nossa é a grande mortandade de varoa por falta de alimentação nos meses de agosto, setembro e outubro, então nós introduzimos em Sorriso o cipó-uva e com isso, obtivemos um mel lindíssimo, de alta qualidade e de valor bem mais alto, proporcionando uma renda a mais para o produtor, que vai poder colher durante a seca toda. Na seca é o período da coleta do mel. Então nós tínhamos uma colheita de 2 meses, mais ou menos, três quando muito avançado e hoje, com a introdução do cipó-uva e outras plantas melíferas, podemos trabalhar em torno de 6 meses de colheita”, afirmou Clarisse.

Porém, uma situação preocupa os produtores de mel, é que em muitas propriedades têm alastrada uma erva daninha, chamada erva-quente, que tem dado dor de cabeça para produtores, já que é uma espécie que oferece grande atratividade para as abelhas, porém o mel produzido a partir dessa alimentação é de baixíssima qualidade, pois apresenta um odor característico que prejudica sua comercialização. “Esse é um problema que agora bate à nossa porta, estamos com apicultores retirando caixas de abelhas de dentro de fazendas, porque há uma grande infestação dessa planta daninha, a erva-quente, que prejudica o mel causando um odor. A erva-quente é extremamente melífera, atrai as abelhas porque possui uma grande quantidade de néctar, e ela começa a sua florada antes das outras plantas. É uma planta que não dá na mata nativa, mas sim em áreas de lavoura. Nós já tivemos um controle dessa erva há dois anos, e só nos deparamos novamente com o problema agora e isso tem nos deixado muito preocupados”, desabafou.

A espécie erva-quente é característica de áreas de culturas anuais, ou seja, ela encontra-se presente nas propriedades rurais. Diante disso, os apicultores estão solicitando a colaboração de produtores rurais para a eliminação dessa erva-daninha, que tem trazido sérios prejuízos para o setor.  “O VITAMEL é firmado em três pontos: pesquisa, produção e preservação, nós trabalhamos em torno de  3 anos e 6 meses para chegar nesse número de cerca de 150 apicultores e fechando parcerias com fazendas, colocando as caixas em reservas de fazendas e montando um programa onde o fazendeiro possa ser visto com bons olhos lá no exterior. Lá fora, onde o comprador abrir um aplicativo e ver essas caixas de abelhas dentro da fazenda dele, mostrando que cuida do meio ambiente e há uma preservação em sua propriedade e que produz de maneira sustentável e consciente. A prova disso, é a quantia de abelhas aumentando em Sorriso, isso traz uma tranquilidade para a parte ambiental da Capital Nacional do Agronegócio. Mas pra isso, precisamos manter as abelhas nas caixas dentro das reservas. Porque se essa erva-quente se alastrar nós vamos ter uma dificuldade muito grande de comprovar que temos essas abelhas nas propriedades, que são importantes para a polinização. Solicitamos que os produtores rurais tanto do Sindicato Rural, quanto os associados ao CAT Sorriso que abracem essa causa e nos ajudem a eliminar essa planta daninha que alastra com uma facilidade muito grande e temos muitos focos hoje e se não nos preocuparmos em eliminar essa erva rapidamente, poderemos inviabilizar a apicultura dentro de Sorriso”.

A Prefeitura de Sorriso trabalha para providenciar mais uma casa de extração de mel e a expectativa é de exportar o produto. Aumentou muito a quantidade de produtores e temos uma expectativa de grande produtividade de mel e vamos trabalhar para legalizar esse mel com o selo do SIM – Selo de Inspeção Municipal, porque vai para exportação, ou pelo menos, venda para outros estados, porque para o mercado interno de Sorriso já é muito mel.

Hoje o programa VITAMEL está trabalhando não só com as abelhas do gênero Apis (abelhas com ferrão), mas com outras espécies. “Injetamos em Sorriso as abelhas do gênero Melipona  (meliponíneas ou meliponini, que são abelhas sem ferrão),  que produz um mel diferenciado, que são as abelhas jataí, mandassaia e de uruçu, que produzem um mel mais raro e muito mais valorizado, porque traz inúmeros benefícios para a saúde”.

Hoje em dia não se elimina mais enxames de abelhas dentro da cidade de Sorriso. O Corpo de Bombeiros tem exercido um papel fundamental na preservaçao das espécies. Quando acionado tem ido até residências para fazer a retirada e soltura no meio ambiente ou encaminha para os apicultores do programa VITAMEL. 

Também há uma intenção de realizar um trabalho educativo junto as crianças que visitam as propriedades e conhecem mais sobre a produção de mel, vendo de perto e valorizando as abelhas que produzem esse alimento tão nutritivo e que possui ação antioxidante, antibacteriana, antisséptica, anti-inflamatória e é um antibiótico natural. “Como em algumas propriedades possuem somente abelhas sem ferrão é possível as famílias com as crianças visitarem a propriedade e o produtor abrir as caixinhas para as crianças coletarem o mel, realmente fazer um trabalho educativo mostrando a necessidade da existência de abelhas polinizadoras e a importância da preservação dessas espécies que são fundamentais para o meio ambiente e nossas vidas”, finalizou Clarisse.

Para saber mais sobre os programas e projetos apoiados pelo CAT Sorriso acesse www.catsorriso.com.br ou ligue 3544-3379. O CAT Sorriso fica localizado na Marginal Esquerda 1415, bairro Bom Jesus

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