Produtores brasileiros terão encontro com compradores de soja responsável da América, Europa e Ásia

A capital do Brasil recebe nos dias 1 e 2 de junho um evento que aborda produção, comercialização e cadeia de fornecimento de soja sustentável. Nele, estarão presentes produtores, representantes da indústria e da sociedade civil vindos da América do Sul e do Norte, Europa e Ásia. Trata-se da 11ª Conferência Internacional de Soja Responsável (RTRS) que tem como intuito promover um intercâmbio de conhecimentos, experiências e visões entre os participantes para garantir a inovação da soja responsável e, dessa forma, garantir a sustentabilidade econômica em longo prazo.

Um dos momentos da Conferência, que tem como tema a união de forças para um futuro sustentável, propiciará que os participantes se dividam em grupos de trabalho com possibilidades de negociação entre Europa e América do Sul, oportunidades de negociação entre Ásia e América do Sul, mercados de produtores entre Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai, e mercados de produtores e oportunidades comerciais da América do Norte. A participação de pessoas representando diferentes setores e países proporcionará espaços para que cada um tenha a chance de compartilhar seus desafios e soluções.

O presidente da RTRS, Olaf Brugman, acredita que a oportunidade de realizar esse evento no Brasil é de extrema importância devido a representatividade do país na Associação. “Atualmente, o Brasil possui 78 fazendas certificadas divididas nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Matopiba. Globalmente, são mais de 10 mil produtores certificados, o que representa 2,3 milhões de toneladas de soja. Acredito que a Conferência reunirá os principais players e produtores para discutir o futuro do mercado, o que potencializará esses resultados em longo prazo. Estamos com grandes expectativas para mais essa reunião anual”, ressalta.

Programação

A conferência ocorrerá nos dias 1 e 2 de junho no hotel Royal Tulip, em Brasília-DF. No primeiro dia, serão abordados conceitos jurisdicionais e o futuro das políticas públicas, planejamento da paisagem e inteligência, questões ambientais, cadeia de fornecimento de soja responsável e suprimentos, tecnologia e inovação no campo. Já no segundo dia, os temas inclusão, escravidão moderna, exclusividade e uso e direitos às terras serão debatidos pelos participantes.

A abertura do evento será realizada pelo presidente da RTRS, Olaf Brugman, e pelo ex-ministro da Agricultura e atual Coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, que irão debater sobre o futuro da soja responsável e como a colaboração de todas as partes podem ajudar o processo. A dinâmica do encontro visa priorizar a discussão e a participação dos convidados em todas as plenárias.

Na primeira plenária do dia 1 de junho, os palestrantes Terence Baines da Unilever, Darcy Getulio do Clube Amigos da Terra e Arnaldo Carneiro da Agrocoine introduzirão três temas-chaves discutidos durante o dia: “Planejamento da paisagem e inteligência”, “Compras a partir de fontes responsáveis na cadeia de suprimentos” e “Tecnologia e inovação no campo e Abordagens jurisdicionais”.

Após esse momento, os participantes se dividirão em três sessões paralelas de diálogo para discutirem cada tema com líderes de organizações internacionais (Bayer, Marks and Spencer – M&S, The Nature Conservancy – TNC, The Sustainable Trade Initiative – IDH, Unilever, World Wildlife Fund – WWF, entre outras) e representantes de entidades brasileiras (Agroicone, Agrosatélite, Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento – LAPIG, SLC Agrícola, Usina Iracema, entre outras). Na próxima sessão paralela, haverá um diálogo em grupo para debater o caminho para a soja sustentável, quais fatores conduzem a agenda de soja sustentável e o que cada um precisa fazer para levá-la à frente.

Em seguida, haverá equipes de trabalho em que os participantes serão divididos por região e áreas comerciais de interesse para abordar “Possibilidades de negociação: Europa – América do Sul”; “Oportunidades de negociação: Ásia – América do Sul”; “Mercados produtores: Argentina – Bolívia – Brasil – Paraguai” e “Mercados de produtores e oportunidades comerciais: América do Norte”. No fim do dia, todos os participantes se reunirão para receber um feedback e a consolidação dos resultados das discussões em sessão e nos plenários paralelos.

Em 2 de junho, a primeira palestra analisa como as cadeias de fornecimento de soja podem promover inclusão social e desenvolvimento equitativo. Serão apresentados quatro temas-chave: “Quais são as dimensões da escravidão moderna e quem é responsável?”, “Quais são as lições aprendidas com a promoção de cadeias de valor mais socialmente inclusivas para os pequenos agricultores, mulheres e pobres?”, ”Produção de soja e direitos das terras indígenas: o que podemos aprender?” e “Como os riscos e oportunidades ambientais e sociais se sobrepõem e como podemos ter uma abordagem integrada de ambos?”. O sociólogo Caio Magri, do Instituto Ethos, Ashis Mondal, da ASA, Marco Pavarino do Ministério de Desenvolvimento Social e Agrário e outros especialistas renomados participarão dessa etapa.

Depois desse momento, haverá uma sessão para esclarecer possíveis dúvidas e reunir ideias do que pode ser feito para incrementar a produção e a comercialização de soja responsável. A última atividade será um resumo das reuniões e um encerramento do evento.

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