Conceitos da agroecologia são aplicados na agricultura familiar em Sorriso

Um projeto de produção orgânica de hortaliças tem mudado a realidade dos agricultores do assentamento Jonas Pinheiro, em Sorriso-MT. Criado há pouco mais de um ano, o projeto-piloto hoje atende 15 famílias que aos poucos estão deixando de usar agrotóxicos e adubo químico no cultivo das plantas.

Para se adaptar e aprender a nova realidade de cultivo, os pequenos produtores apostam nos conceitos da agroecologia, que incentiva as boas práticas no campo. As informações chegam às propriedades através do projeto “Gente que Produz e Preserva” do Clube Amigos da Terra, o CAT Sorriso. Além do sítio Nossa Senhora Aparecida, do Sr. Expedito dos Santos, onde fica a Unidade Demonstrativa (UD) e foi montada uma vitrine agroecológica, o projeto agora foi expandido para outras 4 chácaras.

Uma delas é da dona Salete Pichinhaki e fica na MT 242 na saída de Sorriso para Ipiranga do Norte. Na área de 4 hectares são produzidas frutas, verduras e legumes, tudo vendido na feira do produtor rural e também em supermercados da cidade. O sonho da produtora é trabalhar com produtos orgânicos. “Eu sempre tive vontade de partir pro ecologicamente correto pro agroecológico. Então as expectativas são as melhores. Estou muito animada.”, comemorou dona Salete.

O produção orgânica é consequência das mudanças sugeridas pelo consultor do Sebrae, Glaucinei Brissow Realto. É ele quem vai visitar as propriedades, juntamente com a equipe do CAT, para levar orientações aos participantes. O primeiro passo é fazer um levantamento da propriedade. “Verificamos o que tem sido usado de veneno já que muitos deles podem ser substituídos por produtos naturais e autorizados pelas normas da agricultura orgânica. Também orientamos o plantio de barreiras vegetais pra amenizar os impactos causados por influências externas, ou seja, que o agrotóxico utilizado na lavoura do vizinho, não interfira na produção agroecológica”, explicou o consultor.

Na propriedade do Sr. Expedido dos Santos, onde o trabalho já está sendo desenvolvido há um ano, a horta recebe adubo orgânico através da compostagem. A rotação de cultura e a adubação verde também são conceitos implantados na vitrine. No local também foi instalado um biodigestor que tem a função de coletar os resíduos dos suínos e através de um processo de tratamento de biodigestão gera biogás e biofertilizante.

Para o consultor do Sebrae, Glaucinei Brissow Realto, que também é produtor de orgânico em Alta Floresta, esse é um mercado que só cresce e vale muito a pena. “É um processo de adequação e existe uma lei com normativas que precisam ser seguidas. Produzir orgânico é muito mais que deixar de usar veneno. O produtor precisa estar cadastrado em uma instituição de controle social, cadastrada no ministério da agricultura ou ter passado pela certificação via auditoria feita por empresas autorizadas pra isso ou ainda participar de associação ou cooperativa que faça certificação participativa. Só depois disso o produtor pode usar o selo nacional de produtos orgânicos”, esclareceu o consultor.

O custo pra a produção de orgânico, segundo o consultor do Sebrae, pode ser maior no início do processo mas com o tempo a propriedade acaba criando um equilíbrio natural que ajuda no controle das pragas. O custo é reduzido naturalmente. Além disso não só quem consome os produtos orgânicos está cuidando da saúde mas também o próprio agricultor que deixar de ter contato com produtos químicos.

Apoio

O projeto “Gente que Produz e Preserva” conta com o apoio da WWF Brasil, Solidariedad, IDH e BEL.

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