CAT participa de encontro que ressalta a importância da certificação para sustentabilidade do agronegócio brasileiro

A sustentabilidade e as certificações na cultura de soja foram assuntos discutidos no 10º Encontro da força tarefa da Associação Internacional da Soja REsponsável (RTRS), em São Paulo. Com o tema “O futuro da agricultura no Brasil”, o encontro foi, realizado no último dia 7, no auditório da Dow, em São Paulo, reunindo especialistas do setor, membros da associação e público em geral.

De acordo com Daniel Meyer, gerente de Desenvolvimento de Mercado da RTRS no Brasil, ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas a produção de soja responsável já é uma realidade brasileira e as expectativas são muito positivas. “O Brasil conta com um milhão de tonelada de soja certificada até o momento. A previsão é de que encerremos o ano com a marca de 1,25 milhão de toneladas”, afirmou.

Na opinião dos participantes, a certificação é sinônimo de conservação dos recursos naturais e do bem-estar da sociedade e dos colaboradores. É importante também porque muda a valorização do produto e do empreendimento. “Os produtores que buscam a certificação estão trilhando um caminho certo, buscando melhorias, redução do uso de produtos químicos na lavoura e controle biológico. A RTRS inovou e continua inovando neste quesito”, declarou Meyer.

O Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso) também apresentou no encontro o projeto “Gente que Produz e Preserva”. Ele foi o passaporte para a certificação RTRS de nove propriedades de Sorriso. Ao todo as fazendas somam 21.345 hectares. Para a coordenadora de sustentabilidade do CAT, Cynthia Moleta Cominesi, foi muito importante à presença do CAT no encontro. “Pela primeira vez o CAT participou da força tarefa da RTRS no Brasil como membro da mesa redonda da soja. Uma troca de experiência onde todos ganham. Quem estava lá com certeza pensa no futuro e faz a sua parte para a melhoria de vida do planeta”, concluiu a diretora.

A secretária executiva do CAT, Lenira Arsego, também participou do encontro. Para ela foi uma oportunidade de mostrar o que o Clube Amigos da Terra tem feito na capital nacional do agronegócio. “Mostramos que na nossa cidade é possível produzir preservando os recursos naturais. Prova disso é o primeiro grupo certificado no padrão RTRS”.

A apresentação de Aline Locks, gerente geral da Aliança da Terra, destacou o Programa Produzindo Certo, uma parceria da Bayer, Yara, Unilever e Santander no auxílio à certificação RTRS para produtores. O programa é uma inciativa de um grupo de empresas comprometidas com a produção responsável e tem o objetivo de oferecer aos produtores brasileiros que estão “produzindo certo” um benefício econômico a longo prazo e diluir o custo da produção da soja responsável em toda a cadeia de fornecimento.

A meta do programa em 2015 é fomentar a originação de 150 mil toneladas de soja RTRS em duas regiões: Rio Verde (GO) e Uberlândia (MG). Para os produtores, o benefício de participar é sair de um modelo de negócio que envolve diversas tarefas e a busca pelo lucro para ter sustentabilidade e praticar um modelo que envolve a parceria e auxílio da Aliança da Terra e empresas apoiadoras para alcançar a sustentabilidade.

O coordenador do programa ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) da Embrapa Meio-Norte para a região de MATOPIBA, Marcos Teixeira, apresentou este modelo de produção que alia sustentabilidade com aumento de produtividade. “Isso é possível graças à adoção de técnicas e práticas, aumentando a produtividade em relação à monocultura de soja. É possível produzir mais na mesma área, acumular carbono e contribuir assim para a questão das mudanças climáticas globais”, disse.

A Fazenda Santa Luzia, em São Raimundo das Mangabeiras, é exemplo de um empreendimento que pratica a ILPF, que permite produzir mais, por mais tempo e ocupando menos espaço de terra. Do produtor Oswaldo Massao Ishii, a fazenda está em processo de certificação e deixou de praticar a monocultura de soja há 10 anos e passou a adotar a rotação de culturas e criação de gado, o que melhorou o rendimento da propriedade. A mudança permitiu agregar valor à fazenda e implementar a pecuária dentro do processo produtivo, fornecendo renda o ano inteiro. Segundo Adelmo Oliveira Gomes, gerente da Fazenda Santa Luzia, a certificação virá como um prêmio. “Almejamos a certificação e estamos investindo para isso, tanto em melhorias físicas quanto técnicas. O reconhecimento que teremos será extremamente gratificante”.

Teorias e resultados

O evento contou também com a participação da economista agrícola Bárbara Farinelli, que apresentou uma pesquisa em desenvolvimento pelo Banco Mundial e que retrata a importância da gestão de riscos agropecuários no Brasil. De acordo com o estudo, o Brasil perde 1% de crescimento do PIB Agrícola anualmente por riscos extremos. “Estas perdas podem ser reduzidas com uma melhor gestão”, ressaltou Bárbara.

O material levou em conta a identificação de oito importantes riscos agropecuários e visualizou a participação de sistemas de transferência de riscos agropecuários, sistemas integrados de informação de riscos agropecuários, redução de riscos do comércio exterior, planejamento integrado da agrologística, integração da gestão de riscos e de recursos naturais e o sistema integrado de geração e transferência de tecnologias na agenda do sistema agropecuário brasileiro.

A palestra de Alexandre Sene Pinto, representante da BUG Agentes Biológicos, apresentou os avanços no controle biológico de pragas. O final do evento contou com uma mesa redonda, que reuniu todos os palestrantes e foi marcada pela convicção unânime da importância da certificação para o desenvolvimento sustentável da agricultura do Brasil.

Sobre a RTRS

Fundada em 2006, a Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS) é uma iniciativa internacional pioneira formada pelos principais representantes da cadeia de valor da soja, como produtores, indústria, comércio, finanças e a sociedade civil. Os atores dessas diferentes áreas se reúnem em torno de um objetivo comum, garantindo o diálogo e a tomada de decisão por consenso. A missão da entidade é promover o uso e o crescimento da produção sustentável de soja e, por meio do Padrão RTRS de Produção Responsável da Soja, aplicável mundialmente, garantir uma produção ambientalmente correta, socialmente adequada e economicamente viável. É hoje o sistema mais confiável e avançado do mercado de soja brasileiro para alcançar a sustentabilidade. Atualmente a RTRS conta com mais de 180 membros dos países do mundo inteiro. www.responsiblesoy.org/pt.

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